sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Como será a vida sem o Museu Nacional?
Por fim, dou as costas para o cenário do
desastre e desço a rampa da Quinta da Boa Vista, com o sentimento de que um pedaço do país acabou. O único alento
real, ao qual merece bem a pena a que ele nos agarremos, é o da disposição de
resistência e reparação dos que, de facto, cuidaram da existência do Museu:
seus professores, pesquisadores, estudantes e servidores.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Mercado e Porrada: notas a respeito de uma afinidade eletiva
(Publicado na revista Carta Capital, em 3/8/2018, com o título "O 'inominável' e o abjeto")
Renato Lessa[1]
1. O espectro da candidatura de Jair Messias Bolsonaro – doravante
designado como “o inominável” – constitui ótima oportunidade para reflexão a
respeito da presença do abjeto na política. Uma referência
intelectual útil para tal, bem pode ser a clássica e iluminadora obra da
antropóloga britânica Mary Douglas (1921-2007), apropriadamente intitulada Pureza
e Perigo: uma análise dos conceitos de poluição e tabu, publicada em 1966.
Não se trata aqui de apresentar uma resenha acadêmica do livro, mas de trazer à
reflexão sobre nossas agruras presentes, algo alternativo à assepsia conceitual
politológica, sempre a normalizar os seus objetos e a dar tratamento numérico a
aberrações.
Douglas convida-nos a refletir sobre os significados da sujeira e da imundície
em nossa experiência cotidiana, e o faz a partir da sugestão de que ambas podem
ser percebidas como “matérias fora de lugar”. Em uma de suas anotações, tanto
menciona a exposição de dejetos humanos, quanto o singelo depósito de um fio de
cabelo infantil no prato de sopa. Nossos hábitos mentais protegem-nos da
experiência com a imundície, revelando-a todo o tempo como discrepante e
não-assimilável.
Mas, ao mesmo tempo em que o abjeto e o imundo se nos apresentam
como matérias fora de lugar, parece fundamental percebê-los como
parte integrante de um sistema mais geral das coisas, em curiosa coabitação com matérias
em seu lugar. Trocando em miúdos, a experiência radical com o abjeto, mais
do que revelar o quanto ele é liminar e insuportável, deve trazer consigo a
consciência de seu vínculo com a normalidade da vida: sendo a sua expressão
mais repugnante, o abjeto é aspecto revelador do sistema que o
contém e segrega.
2. Pois bem, “o inominável” é a ostensão do que mais abjeto há no
quadro político que se apresenta ao país. A abjeção inerente ao “inominável”
dá-se pela defesa aberta que faz da violência na política e pela apresentação
ao país de uma gramática e uma retórica do castigo. Uma forma de
mundo na qual a eficácia das consequências é diretamente proporcional à
quantidade de dor infringida aos inimigos. Cercado invariavelmente por homens
musculosos e de semblante duro, o “inominável” percorre o país amaldiçoando os
institutos civilizatórios contidos na Constituição de 1988, fundados em uma
cultura de mediações e de não-letalidade como fundamento normativo de
organização da sociedade.
(Difícil não entrever na reiteração daquela companhia preferencial
hiper-máscula, a força de uma obsessiva homofilia, que exige como compensação
ostensão de fúria homofóbica. Curioso personagem.)
A apologia da tortura, mais do que evocar o “heroísmo” de seus
perpetradores, serve a sua reintronização no horizonte das possibilidades: ela
é, a um só tempo, reparadora e antecipadora. Um homem fundamentalmente violento
faz-se, assim, mito da renitente boçalidade, tão presente no meio de nós. Sua
deambulação pelo país é pedagógica: ensina a gramática e a semântica de uma
vida sem mediações, fundada no que ela detém de efetivamente real: a
possibilidade e a necessidade de infringir castigo físico aos inimigos.
Quilombolas, índios, camponeses sem terra, LGBTs, mulheres, sindicatos,
estudantes, democratas em geral, etc..., constituem a listagem das vítimas potenciais
desse despautério. Regressão civilizatória: o pau-de-arara no lugar das armas
da república.
Os demais candidatos – ordinariamente mais ou menos palatáveis -
situam-se no exterior dessa inesgotável reserva de abjeção. Serão maus, bons ou
nem tanto assim, mas não necessariamente abjetos. Nesse sentido, o “inominável”
não é um candidato normal: ele é a negação mais radical do mundo no qual se dá
a possibilidade de escolha entre diferentes candidatos. A ele, portanto, não se
deve conceder a perspectiva da normalização, por meio de vocabulário
politológico asséptico.
3. O abjeto, como ensinou Mary Douglas, tem parte com este mundo.
Sua apologia e sua exibição não se limitam à exortação do passado ditatorial e
à expectativa de reintronização em nossas vidas. Ele possui, em
adição, fixação no aqui e no agora: pertence, portanto, ao sistema mais geral
das coisas. Como assim?
A ostensão primária da boçalidade e a exortação da violência, por
parte do “inominável” a muitos pareceu incompatível com o “namoro”
assumido com a mais extrema agenda liberal em economia e em política social.
Seu guru e porta voz, o economista Paulo Guedes, figura entre os mais
destacados expoentes de tal agenda, e disso nunca fez qualquer
segredo. Nesse aspecto, aliás, a candidatura do “inominável” começa a ganhar
foros de normalidade, já que sua agenda econômica e social não discrepa, no
essencial, da apresentada por assessores econômicos de outros candidatos
(Alkmin, Marina, Meirelles, pelo menos). Falam todos a mesma língua e percebem
a política e o ativismo social como fatores permanentes de irracionalidade.
A fusão entre a gramática da violência e a defesa do
ultra-liberalismo em economia e em política social, na verdade, nada tem de
inconsistente. Da mesma maneira que o tratamento do tema da segurança pública
exige, para a agenda “inominável”, deflação dos direitos civis, a
operação livre de uma ordem de mercado impõe a desmontagem dos mecanismos
regulatórios e a afirmação de crenças fiscais incompatíveis com as funções constitucionais
do Estado brasileiro. Trata-se, aqui, de deflação de direitos sociais.
Com efeito, o sonho – na verdade, o pesadelo – de uma ordem de mercado
auto-regulada exige o espectro de um agente estatal com idêntico estatuto: auto-regulado. A
fórmula que se impõe, admito, é um pouco chula, mas não imagino coisa melhor: mercado
e porrada aparecem como termos de uma terrível afinidade eletiva. Que
me perdoem os espíritos de Goethe e Max Weber.
Tal afinidade, por sua vez, alimenta-se de uma cultura mais geral
de aversão à abstração, que atravessa praticamente todo o espectro político
brasileiro. A ideia de mediação cede lugar a uma metafísica da presença, da
ação direta e da expressão de identidades e potencias “genuínas”, que não mais
devem ser neutralizadas por valores abstratos. É a metafísica do concreto que
se afirma progressivamente entre nós.
O abismo identitário no qual o campo da esquerda se precipitou,
com o desprezo de sua vocação histórica universalista, não poderia deixar de
ter contrapartida à direita: o laço social dá-se pela presença de mecanismos de
força, sem qualquer abstração, tanto no plano da manutenção da ordem pública
quanto da ordem econômica. Apresenta-se ao país algo inédito em sua história: a
materialização plena de uma ordem capitalista pré-Estado de Bem Estar Social,
cuja vertebração – na falta de qualquer processo institucional de legitimação
distributiva – exige máxima disciplina. A agenda não é inconsistente, ela é
simplesmente abjeta e, como tal, pertence à ordem dos possíveis e ao tal
sistema geral das coisas.
Douglas convida-nos a refletir sobre os significados da sujeira e da imundície em nossa experiência cotidiana, e o faz a partir da sugestão de que ambas podem ser percebidas como “matérias fora de lugar”. Em uma de suas anotações, tanto menciona a exposição de dejetos humanos, quanto o singelo depósito de um fio de cabelo infantil no prato de sopa. Nossos hábitos mentais protegem-nos da experiência com a imundície, revelando-a todo o tempo como discrepante e não-assimilável.
[1]. Professor de
Filosofia Política da PUC-Rio e Investigador-Associado do Instituto de Ciências
Sociais, da Universidade de Lisboa.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Sem Lula, esquerda ou
se une ou estará fora do
2o turno, diz Lessa
'Neutralização da esquerda' começa com impeachment e acaba com prisão, diz professor
'Neutralização da esquerda' começa com impeachment e acaba com prisão, diz professor
9.abr.2018 às 2h00
Patrícia Campos Mello
SÃO PAULO
A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fecha o ciclo de neutralização
da esquerda no Brasil.
"Esse processo começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e
termina com o impeachment preventivo de Lula", diz Renato Lessa, professor de
filosofia política da PUC do Rio e investigador associado do Instituto de Ciências
Sociais da Universidade de Lisboa.
Para Lessa, se os pré-candidatos da esquerda não compuserem uma frente, há o
sério risco de a eleição de 2018 ser disputada entre um candidato de centro-
direita e outro de extrema direita.
"Sei que vai predominar a discussão sobre a cabeça de chapa, mas essa visão de
curto prazo vai ter que ceder lugar a uma conversa estratégica, ou teremos a
perspectiva real de 35% da opinião política não ter expressão nas eleições de
2018, o que é ruim para a democracia".
Folha - Qual é o significado da prisão do ex-presidente Lula?
Renato Lessa - Trata-se de algo gravíssimo, de conseqüências
imprevisíveis. E é um processo que se completa. Cada vez mais perde
materialidade o fato inicial que teria levado ao impeachment de Dilma
Rousseff, as pedaladas, que eram práticas triviais, embora juridicamente
condenáveis, nos governos anteriores.
No contexto de perda de maioria parlamentar de Dilma, isso levou ao
impeachment. No entanto, achava-se que esse processo se esgotaria com
o impeachment e a virada de governo, a substituição pelo poder do outro
grupo. Mas essa manobra para trocar o grupo no poder se completa é
com a prisão de Lula.
Pensando historicamente: o governo de Getúlio em 1945 termina não
porque Getúlio era um ditador. Ele tinha deixado de ser um ditador, os
militares que o apoiaram enquanto ditador o depõem quando ele começa
a democratizar o regime. O governo João Goulart acaba do jeito que
acabou. E não o governo Lula, mas Lula como personagem político que
poderia voltar também sai de cena. É algo para se pensar: como
terminam os governos de extração popular no Brasil?
O que se produziu nos últimos dois ou três anos foi um processo de
neutralização de um segmento importante da política brasileira, a
esquerda.
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Folha: Em que sentido a esquerda está neutralizada hoje?
Renato Lessa: Houve um deslocamento do governo de uma maneira heterodoxa e
depois a neutralização política do provável sucessor, Lula.
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São dois impeachments. Esse processo começou com o impeachment da
presidente Dilma Rousseff e termina com o impeachment preventivo de
Lula. Quebrou o vínculo da esquerda com sua base eleitoral, popular,
tirando o principal líder de cena, Lula.
Um aspecto importante desse processo é o eixo Curitiba-Porto Alegre,
com um grau impressionante de coordenação. Ao mesmo tempo, do lado
do Supremo Tribunal Federal, uma negação de habeas corpus por 6 a 5.
É inusitada a mudança da pauta não tratar do caso genérico em primeiro
lugar para depois tratar dos casos particulares. Se fosse outra pauta, o
resultado era outro, Lula não seria preso, o jogo continuaria.
É um processo obscuro, que produz conseqüências graves. O país está
sendo governado pelo sindicato dos deputados. Os representantes se
representam no governo, não representam ninguém por trás deles.
Essa ideia de que justiça se faz com a punição, esses comentários
panglossianos de que com a prisão de Lula está garantido o Estado de
Direito. É a hegemonia do discurso da limpeza, de prender todo mundo.
O brasileiro quer ter um preso para chamar de seu. Ficamos com essa
concepção de justiça. Pode continuar com fome, desigualdade, pessoas
seis horas por dia no ônibus para trabalhar. Tudo pode. Mas tem que
haver lisura.
Folha: Quão eficiente foi a manobra de neutralização da esquerda?
Renato Lessa: Idealmente, configurada a impossibilidade prática da candidatura de
Lula e, para mim, já está configurada, é preciso trabalhar com o modelo
que os uruguaios têm há bastante tempo, uma Frente Ampla de
recomposição da democracia.
Folha: Mas o PT aceitaria uma Frente Ampla sem ocupar a cabeça da
chapa?
Renato Lessa: Por isso comecei o raciocínio dizendo idealmente. Seria interessante que
o Ciro Gomes conversasse com o Fernando Haddad, a Manuela D'Ávila,
e alguém um pouco mais para o centro. A criação de uma frente ampla
voltada para a recuperação do ambiente democrático e sinalizando
pautas de igualdade social. E Lula deveria deixar uma mensagem de convergência.
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Os candidatos desse campo terão de convergir para que algum deles
chegue com chance de vitória no segundo turno. Há o risco real de haver
um segundo turno entre a centro direita e o inominável, a extrema
direita. Na prática, sei que vai predominar a discussão sobre quem vai
estar na cabeça de chapa, mas, em algum momento, essa visão de curto
prazo vai ter que ceder lugar para uma conversa estratégica, ou então
teremos a perspectiva real de 35% da opinião política não ter expressão
nas eleições de 2018, o que é ruim para a democracia.
Folha: A prisão do Lula sinaliza que todos os políticos podem ser
presos, ou há duas velocidades e duas medidas?
Renato Lessa: Mesmo que continuem a prender políticos, vão ser dois pesos e duas
medidas, porque não vão conseguir prender, do outro lado, alguém com
a estatura do Lula. Não existe um equivalente que desmonte o campo da
centro direita brasileira, que represente um desafio brutal como a
neutralização do Lula significa para o campo da esquerda.
Mesmo que a Lava Jato continue, ela vai pegar personagens periféricos,
ou governadores como Sergio Cabral, que destruiu o próprio estado. O
Aécio Neves não corresponde ao Lula em termos de estatura na
organização e ele foi protegido. O próprio presidente Temer, até certo
ponto, não é processado porque tem o sindicato dos deputados que
garante a sua proteção. E mesmo que vier a perder o foro, sem mandato,
o seu processo vai começar na primeira instância e sendo o presidente
um especialista jurídico, vai transitar em julgado daqui 50 anos, mesmo
se mantiverem a decisão de segunda instância.
Folha: Como fica a esquerda com Lula fora do jogo?
Renato Lessa: A esquerda tem um desafio enorme. Os nomes estão postos "“ Ciro
Gomes, talvez Fernando Haddad e, com menor expressão eleitoral, mas
com expressão política, a Manuela Dávila. Guilherme Boulos, pelo PSOL,
vai numa linha completamente autonomista. O PSOL tem a perspectiva de colher os despojos, não de cooperar numa
frente comum.
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Faria sentido esses três nomes conversarem e incluírem elementos de
centro mais progressistas. Não sei se todos os tucanos estão satisfeitos
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com o que está acontecendo, talvez também o campo da Rede. É
necessária uma conversa para a recomposição de um campo de centro-
esquerda reformista moderno, capaz de dar segurança para a economia,
mas, ao mesmo tempo, repor a perspectiva social.
Uma das questões é a dificuldade de encontrar o candidato de centro. Toda vez que se cita o candidato que seria de centro, em qualquer país do mundo, ele seria considerado de direita. Geraldo Alckmin (PSDB) não é de centro, tem valores conservadores. Não é um xingamento, e só uma topografia. Rodrigo Maia (DEM) também. Folha: Qual é o impacto da comoção em torno da prisão do Lula? Qual é a força e durabilidade desse movimento? Renato Lessa: Ela vai permanecer durante algum tempo. Mas vai depender muito de como a prisão vai ser feita, quanto tempo Lula vai ficar preso e qual é a capacidade que ele vai ter de falar da prisão, sua relação com o mundo aqui fora. A prisão produz efeitos, mas eles vão aos poucos se incorporando na rotina das pessoas, a menos que ele tenha um operador político aí ativando isso de alguma maneira. O país hoje tem uma extrema direita aberta, com visibilidade, que representa o resíduo de boçalidade presente no Brasil, mas entrou no sistema político e tem um candidato competitivo. Não acredito que esse candidato vá perder votos porque o Lula vai sair. Esse candidato expressa demônios que estavam no fundo da garrafa e foram destampados a partir do processo de impeachment. Algo que mesmo os líderes do impeachment não imaginavam que pudesse acontecer. Os caciques do PMDB e PSDB não imaginavam que essa subcultura protofascista se disseminasse tanto. Enquanto isso, não há discussão de uma agenda que precisaria ser discutida na eleição. Ninguém pode negar que a questão da Previdência precisa ser discutida, embora eu discorde da forma como o governo Temer fez isso. Uma boa hora para discutir é uma campanha eleitoral, com conteúdo, não só com marketing político. |
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Essa discussão não foi levada ao cidadão, tentou se passar essa agenda
através de uma mudança heterodoxa no ciclo político. Apesar de dizerem que Temer mantinha ótimo trânsito com o
Parlamento, a mãe de todas as reformas, da Previdência, não vingou, a
reforma trabalhista é uma medida provisória que vai vencer daqui a
pouco. A única reforma que passou foi o teto de gastos, que fica
prejudicado se a da previdência não passar.
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RAIO-X
Formação
- graduado em ciências sociais pela Universidade Federal Fluminense
(1976)
- mestre (1987) e doutor (1992) em ciência política pelo Instituto
Universitário de Pesquisas do Rio (IUPERJ)
Cargos
- professor associado de filosofia política na PUC-Rio
- investigador associado da Universidade de Lisboa
- ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional (2013-2016)
- ex-diretor-presidente do Instituto Ciência Hoje (2003-2013)
Sem Lula, esquerda ou se une ou estará fora do 2o turno, diz Lessa 09-04-2018 INTERNET 7 de 7
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